Indicações do exame Neuropsicológico

  1. Avaliação e acompanhamento de demências (Tipo Alzheimer, Vascular, SIDA, etc.);
  2. Avaliação e acompanhamento do Déficit Anêmico Associado à idade;
  3. Avaliação do déficit cognitivo pós AVC, TCE e anexai;
  4. Avaliação de déficit cognitivo pós meningo-encefalites;
  5. Avaliação de déficit cognitivo pós intoxicações (metais pesados, etc.);
  6. Avaliação de déficit cognitivo associado ao alcoolismo (demência Wernicke Korsakoff);
  7. Avaliação de déficit cognitivo associado a drogas (cocaína , cola, etc.);
  8. Avaliação do déficit cognitivo na epilepsia;
  9. Avaliação de déficit intelectual congênito (em especial retardo grau leve e inteligência limítrofe);
  10. O Avaliação do déficit atentivo no Transtorno do Déficit de Atenção forma persistente;
  11. Avaliação de formas residuais de Transtornos do Aprendizado;
  12. Avaliação dos déficits cognitivos na esquizofrenia;
  13. Outros: diagnóstico diferencial das dismnésias (depressão versus demência).

A avaliação neuropsicológica pode ser utilizada, para a realização de um diagnóstico ou então para documentação, acompanhamento ou fins legais, em casos de diagnósticos conhecidos. Muitos déficits não têm a magnitude suficiente para serem evidentes ao exame clínico, não obstante poderem comprometer o funcionamento diário do paciente. Alguns déficits exigem o emprego de materiais específicos de teste para sua demonstração. Déficits sutis de memória podem prenunciar quadros mórbidos bastante graves e exigem um exame extenso e aprofundado, que pode demorar várias horas ou mesmo dias. Cabe ressaltar ainda que indivíduos com nível alto de funcionamento pré-mórbido, podem sofrer declínio de funções e ainda assim, permanecer com desempenho dentro da faixa de normalidade, sem comprometimento significativo da vida diária. Suas queixas neste caso podem ser interpretadas erroneamente caso não seja realizada uma avaliação neuropsicológica detalhada.

Os escores de testes são abstrações realizadas a partir de observações do desempenho do paciente. Eles expressam um cálculo matemático que compara o desempenho com o de um grupo normativo pareado por sexo, idade e escolaridade. Muitos testes no Brasil não possuem grupo normativo adequado, o que indica cautela na interpretação do alguns resultados. Alguns testes revelam ter um mesmo perfil de grupo normativo em diferentes culturas, outros são altamente variáveis dependendo do grupo testado. Alguns testes se prestam a análise qualitativa, outros não. Vários testes possuem uma forte correlação entre si e discrepâncias eventuais indicam comprometimento cognitivo, mesmo na inexistência de grupo normativo. Alguns testes são altamente dependentes da idade (como os que exigem destreza visuomotora), outros da escolaridade (corno os que exigem vocabulário); alguns sofrem influência de ambos os fatores e outros pouco se modificam através de amplas faixas etárias e dos níveis sócio-econômicos. O laudo de uma avaliação deve ser idealmente realizado por profissional capacitado, que conheça princípios de neurofisiologia e neuroanatomia, clínica neurológica e psiquiátrica, estatística, metodologia científica e tenha íntima compreensão da estrutura, validade e confiabilidade de cada teste que utiliza.

A dominância hemisférica é determinada pela localização do centro de linguagem; ela pode ser determinada pelo Teste de Wada por ocasião de ato neurocirúrgico e, na prática clínica diária, estimada pelo inventário de lateralidade. Em 95% dos destros e 65% dos canhotos (a maioria, portanto) o hemisfério dominante é o esquerdo. Os canhotos tendem a ser menos "lateralizados", isto é, têm menor grau de especialização dos hemisférios.

O hemisfério esquerdo tende a ser mais volumoso, diferença esta por conta das áreas de linguagem (plano temporal). Há diferenças quanto à neurotransmissão e também quanto à organização: enquanto rio hemisfério esquerdo (HE) existe uma organização integrada, com áreas especializadas ("centros"), no hemisfério direito (HD) parecem existir "redes", mas não "centros". Isto justificaria o fato de lesões em diferentes áreas e, mesmo do diferentes proporções no HD, cursarem com déficits muito semelhantes.

O HE realiza um processamento linear, analítico, como no caso das locuções verbais, proposições matemáticas e programação de seqüências motoras.

O HD realiza um processamento configuracional, sintético. O HE media funções verbais tais como leitura, escrita, fala, ideação verbal, memória verbal e sistema numérico. O HD media funções não verbalizáveis, tais como funções visuo-perceptivas (percepção de formas, perspectiva, duas e três dimensões, etc.). O HD também é denominado de cérebro emocional, pelo fato de processar e atribuir significado à prosódia do discurso, às expressões faciais, o reconhecimento de estados afetivos, dentre outros. A música é processada pelo HD em indivíduos não-músicos (que "sentem" o que ouve) e pelo HE em músicos (que "analisam" o que ouvem). Enquanto o julgamento métrico é uma função esquerda, discernir qual entre dois objetos está mais próximo é função direita. Cálculos que envolvem organização espacial (mentalmente ou no papel) exigem processamento direito, mesmo que o sistema numérico seja processado pelo esquerdo.

Atualmente muitos autores dedicam-se ao estudo das síndromes de desconexão e sua relação com estados dissociativos variados. Como os hemisférios dominante e não-dominante parecem processar de modo diferente os eventos, além da "dominância emocional" do hemisfério direito, deficiências na comunicação entre os hemisférios podem se associar a quadros dissociativos, em especial os que envolvem amnésia. A neuropsicologia das emoções é uma área de muito interesse atualmente e curiosamente, vem oferecer novos entendimentos para fenômenos bem conhecidos clinicamente e até então explicado apenas por teorias relacionadas à psicanálise.

Lesões à direita comprometem o tato bilateralmente, enquanto aquelas à esquerda o comprometem apenas de modo contra-lateral. O HE também é menos eficiente na percepção de formas, texturas e padrões, quer por tato ou visão.

Pacientes lesionados à direita podem ser fluentes e até verborrágicos, mas fazem em geral julgamentos pobres, ilógicos, com generalizações inadequadas. Eles podem ter dificuldade em ordenar, organizar e extrair sentido de situações ou estímulos complexos a que são apresentados.

Há importantes diferenças também entre homens e mulheres quanto ao desempenho em testes neuropsicológicos, à semelhança do que ocorre em várias outras tarefas, como a escuta dicótica. Homens são mais hábeis em testes com rotação espacial de objetos, em raciocínio matemático, em tarefas motoras dirigidas a um alvo e em encontrar rotas (direções) num caminho. Mulheres tendem a ser mais rápidas e precisas em parear estímulos semelhantes, em testes de fluência verbal, em cálculos simples e em memorizar pontos importantes num caminho. Há estudos sugerindo que homens homossexuais têm pior desempenho em tarefas visuo-espaciais e melhor desempenho em fluência verbal (em relação aos heterossexuais).

Concepção de Descartes' de sensação e ação como concebeu no De homine (1662). A luz foi transferida da retina aos ventrículos e causa a libertação de espíritos animais. A glândula de pineal modulou este mecanismo para ação voluntária.

A avaliação neuropsicológica completa envolve as seguintes áreas.

· inteligência global;

· memória verbal e visual (aquisição, retenção e recuperação);

· memória implícita (casos especiais);

· capacidade de aprendizado novo;

· atenção (amplitude, rastreamento, seletividade, alternância e sustentação);

· linguagem expressiva e receptiva;

· vocabulário;

· fluência verbal fonética e semântica;

· cálculo;

· abstração;

· planejamento;

· habilidades visuo-perceptivas e visuo-construtivas;

· praxia;

· gnosía;

· destreza visuo-motora;

· tato;

· força muscular;

· nível de conhecimentos gerais;

· capacidade de formular hipóteses e de modificá-las (flexibilidade cognitiva).

Um exame neuropsicológico pode durar de 1 até 8 horas, neste último caso são realizadas sessões em diferentes dias. O número de testes empregados pode chegar até 30, dependendo daquilo que se quer investigar. Ele pode ser solicitado pelo médico, psicólogo ou fonoaudiólogo que acompanha o caso, devendo ser realizado em centros especializados.

 

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